DIRT BAG BRASIL ~ As Corredeiras do Rio Ribeirinha by Paulo Saczuk Jr,and Troy Lafayette’s dirtbag life in the biggest country of SouthAmerica.

FROM THE EDITOR’S DESK:
For all the Brazilian Dirt Bags out there, here is a trip report of a recent mission, 
As Corredeiras do Rio Ribeirinha, “The Rapids of the Ribeirinha River”, published by Paulo Saczuk Jr. in Extremos online magazine. Troy Lafayette, one of our Brazilian Admins, got to take part in the epic adventure. We decided to run Paulo’s article in it’s original Portuguese, and allow our readers from outside Brazil to translate it into their own language in much the same way that so many of our readers do every article. DBP is a worldwide community; consider that 99% of our content runs in English. We wanted to give a nod to our many friends in the largest country in South America, and demonstrate our commitment to diversity on a different level from the norm. We have never believed in monolingual philosophies, and in this important period in American history we thought to take this opportunity to put our money where our mouth is. We hope you’ll enjoy the fantastic tale. But first we will introduce to you our homie Troy, and tell how this PNW rafter came to Brazil to dirtbag it. 
“I probably was destined to be a dirtbag because my father was a swim coach and my Boy Scout master loved to canoe. I grew up on the south coast of Oregon with many lakes and small coastal streams.  After college and the traditional sporting career were over I was looking for something that would continue to challenge me and keep me outdoors. At that time I reconnected with the river.”
“I got myself a duckie (or inflatable kayak, known as an IK in the PNW) and drove up to the local river until I saw a raft go by and figured it must be good to go. This lead to rafting, and what is the best way to go rafting a lot and justify it? …Call it a job! The early 2000’s were my golden years for rafting and in the PNW (Pacific Northwest) there really is an endless supply of rivers to challenge and Wallace you as your skills improve.”
“In 2009, after marrying my wife who was Brazilian, we decided to move there. Naturally, without speaking much Portuguese, I quickly sought out the closest rafting company, because I knew the language of the river, and so I asked them if I could join a trip. They gave me a duckie (IK) with a blown I-beam floor, so it rocked back and forth and taught me how to blow up the seats with your tongue and mouth. After not Wallacing on on my first two high water trips on the Upper Juquia River, I guess they figured I was good to go, and started letting me take customers down the lower easier section.” Troy had found a new home thousands of miles from his old one. 
The local dirtbags took Troy in and have made Brazil a most wonderful place to be. “As one would expect anywhere, the river guys here are the best and have always treated me great. As it comes full circle, that first river trip I did here in Brazil, I am doing for the first time in my kayak today. Unlike the first time, there is sure to be some Wallacing.”

We asked Troy to set the table for this Brazilian mission with some background in English. “I was visiting my mother-in-law and reached out to the paddle guys in Curitiba. As luck would have it, they had a trip planned for the time I was in town, and an extra duckie, which is not at all common here.”
“After that it was all a blur,” Troy told us. “I jumped in the back seat of a car at 5am and started driving to a river. Most of the car trip was on dirt roads and I am still not sure exactly where we headed. From my understanding this river had been done a few times before, but being able to get on it was not very common.” 
The river was outstanding, regardless of the language describing it. “There were some really nice rapids that for any Class 5 kayaker would be good to go. I probably walked more than I should have but enjoyed the remoteness and joy of seeing a new river. The crew was great, and we pulled off just as the sun was fading and darkness coming on. I got another new river notched on the belt, and spent a nice day with some friends, old and new.”
And now, we present Paulo’s trip report. 
AS CORREDEIRA DO RIO RIBEIRINHA.
Paulo Saczuk Jr
Gilmar no início da descida da Corredeira do Sifão Classe IV+. Foto: Hilário Walesco
      
Normalmente para os leigos no assunto, um esportista radical é geralmente rotulado como kamikaze, maluco, uma pessoa sem comprometimento com sua segurança, responsabilidades e na maioria dos casos é uma pessoa fria e calculista, que não dá o devido valor à própria vida. Mas esta é uma visão muito equivocada e que quase sempre esta associada aos praticantes dessas modalidades denominadas radicais.
Na contra mão deste raciocínio, a verdade é que a prática destes esportes requer muito planejamento, treinamento, uso dos equipamentos adequados, e uma série de fatores para que o resultado da prática seja alcançada com sucesso por aqueles que pretendem desafiar seus limites. Dentre as muitas modalidades nesta linha radical está o Caiaque de Águas Brancas, e é nela que vamos embarcar para transmitir um pouco da grandiosa sensação e espírito de aventura ao enfrentarmos as corredeiras de um Rio. Iremos desbravar suas belezas naturais, muitas delas que só podem ser observadas por aqueles que em suas águas se aventuram.
Iniciamos nossa aventura na companhia dos amigos Paulo Saczuk Jr, Gianmarco Luiz, Hilário Walesco, Gilmar José Contezini, Mauro Posso e Troy Lafayette tendo como destino final o rio Ribeirinha na cidade de Rio Branco do Sul na região metropolitana da capital do Paraná. Saímos de Curitiba às 6:00 da manhã com toda nossa equipe, passando pela cidade de Almirante Tamandaré e tendo como primeiro ponto de parada logo na entrada da cidade de Rio Branco, onde chegamos às 7:00 e paramos para tomar um café bem reforçado.
Após nosso café, deixamos a panificadora por volta de 07:45, rumo ao bairro do Jacaré para acertamos nossa logística com nosso amigo local chamado Orlan. Da entrada de Rio Branco até o bairro rodamos por 51 km, com início em asfalto mas em 80% do trajeto feito em estrada de chão. Nestas condições levamos cerca de uma hora e quinze minutos para chegar ao bairro na residência de nosso amigo.
Entrada do Rio na Balsa – Troy, Gian, Gilmar, Paulo, Mauro e Hilário. Foto: Orlan
   

Corredeira Catapulta – Classe V. Foto: Hilário Walesco

 
Na prática do Caiaque de águas brancas um dos pontos chave de qualquer descida de rio a ser realizada é a logística de entrada e saída deste rio, pois ao término desta descida torna-se muito complicado carregar um caiaque que pesa entre 20 a 23 kg mais todo o equipamento que levamos de apoio, muitos destes equipamentos molhados e muito mais pesados no final do percurso. Dependendo do terreno em questão, não é possível arrastá-los por um longo período afim de não provocar danos no casco que possam colocar em risco futuras descidas.
Além deste ponto, a logística representa um fator crucial na questão de segurança, pois diferentemente do balonismo, por exemplo, em que o regaste consegue ter um acompanhamento visual praticamente em sua totalidade, no rio são raros os trajetos em que conseguimos isso, sendo assim, é de extrema importância que o pessoal que fará este resgate, tenha o conhecimento minucioso da região em questão a ser explorada. Como deixamos um horário de saída combinado, qualquer atraso neste horário maior do que o considerado normal, pode e irá indicar que a equipe precisa de auxílio, problemas com equipamentos ou até mesmo uma questão mais delicada como um acidente, podendo assim ser acionada ajuda em um curto espaço de tempo.
Saímos da casa do Orlan as 09:30 e tínhamos pela frente um complicado e lento percurso em uma estrada de chão de 42 km até o ponto de entrada do Rio Ribeirinha na travessia de balsa onde teria início a nossa aventura por suas incríveis corredeiras. Levamos uma hora para fazer este trajeto chegando por volta de 10:30 na balsa. Descarregamos todo nosso equipamento e iniciamos os preparativos para nossa descida.
Caiaques na água, equipamentos checados e revisados, fizemos nossa foto inicial com toda a equipe e partimos às 11:00 da manhã, para os 18,2 km do percurso do rio Ribeirinha, com aproximadamente 100 m de desnível. O início é tranquilo com baixa velocidade e corredeiras de baixa exposição, porém ao longo do trajeto iríamos enfrentar corredeiras de classes que variavam entre II a V+.
Para as pessoas que não estão familiarizadas com este esporte fabuloso, as corredeiras de um rio são avaliadas numa graduação que vai de Classe I a VI, assim como vias de escalada, por exemplo. Em sua classificação leva-se em conta sua exposição, volume ou nível normal, tempo de resgate em condição de acidente, volume de água na ocasião da descida entre outros, pois os rios sofrem influência direta do volume das chuvas na região onde eles se encontram. Você pode descer tranquilamente um rio de classe II, por exemplo e no meio dele ser atingido por fortes chuvas em sua cabeceira e ter suas corredeiras transformadas rapidamente em classes IV, V e até mesmo classe VI dependendo de sua graduação inicial.
Continuando nosso trajeto, passamos por alguns locais técnicos porém não muito complicados chegando ao ponto conhecido como trecho das grandes corredeiras que é composto de quatro corredeiras muito técnicas e expostas que variam entre III+ a V+ no nível de graduação. Para encarar este percurso é preciso ter um bom controle do caiaque com as técnicas de remada e dominar uma manobra que é chamada de rolamento. Esta manobra consiste em conseguir através do movimento de quadril, juntamente com remo desvirar o caiaque, caso o canoísta fique de cabeça para baixo em função de um choque com um pedra, queda em um refluxo ou ser virado pela força da correnteza.
Em percursos técnicos como este das grandes corredeiras, é muito arriscado nadar, pois existe grande pressão de água, muitas pedras, refluxos que normalmente sugam o canoísta para baixo mesmo com o uso do colete. Por isso nunca descemos um rio com corredeiras deste nível com uma equipe pequena e despreparada. É necessário parar, estudar e observar o que iremos descer, montar pontos de resgate caso algo de errado e até mesmo fazer a portagem, no caso desviar a corredeira caso seja detectado um risco de acidente em potencial.
A primeira deste trecho das grandes corredeiras que descemos chama-se Jardim de Pedra, uma classe III+ que se inicia com um salto pequeno mas que possui um refluxo poderoso em sua direita. Neste ponto montamos um sistema de isca viva que consiste em duas pessoas na margem do rio sendo que uma delas tem uma corda fixada na parte de trás do seu colete e em caso do canoísta cair neste refluxo e ter de ejetar do caiaque ficando preso, ele pode se jogar na água e agarrá-lo sendo puxado pelo parceiro que esta com o cabo de segurança.
Ao fundo Gian e Gilmar descendo a Corredeira do Sifão Classe IV+. Foto: Hilário Walesco
 
A segunda corredeira chama-se Corredeira Fernando que neste dia devido às chuvas a graduamos classe V+. Com este grau o risco de acidente torna-se altíssimo e sendo assim todos nós fizemos uma portagem desviando assim esta corredeira. Com o nível normal sua graduação varia de IV+ a V e quase todos os membros de nossa equipe já fizeram esta corredeira.
A terceira corredeira chama-se Corredeira do Sifão, é uma classe V que pode ser feita em sua totalidade ou pode ser desviada a parte que é denominada de Sifão e descer o restante. Este segundo trajeto é um classe IV em que montamos um esquema de segurança para que o Gian e o Gilmar pudessem fazer a descida.
A última corredeira chama-se Catapulta, devido ao conjunto de pedras logo abaixo do seu início que tem a tendência a projetar o caiaque para cima e virá-lo, daí o porquê de seu nome. É uma corredeira classe IV+ no seu percurso completo e classe IV portando o trecho inicial. Neste dia, somente o Gian fez uma tentativa da parte inicial que não foi completada, e os demais desceram somente a segunda parte.
Passado esta seção, fizemos uma pequena parada para lanchar, por volta das 13:30 pois ainda enfrentaríamos várias outras pela frente, como a corredeira do S, Cipó, Ponte da Amizade e Vaca Morta, sendo esta é uma corredeira classe III+ com um potente refluxo na parte final. Ao todo são mais 35 corredeiras nos mais diversos níveis, mas infelizmente devido a riqueza de detalhes em cada uma delas a ser transposto, não nos permite relatar aqui neste texto na íntegra todos os desafios deste maravilhoso rio.
E sendo assim, concluímos o trajeto saindo às 17:45 da água, completando em seis horas e quarenta e cinco minutos, os 18,2 km do Ribeirinha. Aos amigos canoístas que resolverem se aventurar por aqui, fica a dica de um rio maravilhoso e de um trajeto longo e desafiador, muito bacana, que possui uma logística um pouco complicada devido à sua localização mas compensada por um cenário de rara beleza e como descrevi no início deste texto que só pode ser observado por que resolver navegar por suas águas.
Nossa vida é assim, moderna, contemporânea, saudosista em alguns momentos e muito complicada em outros, e desafios como este nos ensinam a manter o espírito de aventura, o companheirismo, o trabalho em equipe, a amizade e tantas outras coisas que aprendemos não somente com a canoagem, é claro, mas com os muitos esportes que praticamos ao longo da nossa vida.
Mas afinal, qual o propósito da vida? A vida não possui um propósito certo. Poderíamos dizer que seria como descer um rio desconhecido com fortes corredeiras. Você nem sempre sabe sobre o caminho que vai seguir, apenas sabe que terá momentos difíceis e fáceis durante esse percurso e que também haverá momentos que o farão querer desistir.
Porém, quando encaramos esses desafios, no final temos o prazer de dizer que não desistimos e conseguimos traçar nossos planos e realizá-los com sucesso. Estabeleça suas metas e busque seus objetivos, pois você é o único capaz de realizar seus sonhos. Pense no ontem, como um aprendizado, no amanhã como um projeto e faça do hoje sempre o seu melhor, pois é no presente que construímos o nosso futuro.

“Este texto é dedicado em memória de nosso grande amigo Álvaro Santos “
Nosso muito obrigado ao Orlan e seu pessoal que tem nos auxiliado com toda a logística, tornando possível nossas empreitadas no rio Ribeirinha. Meu agradecimento aos apoiadores: Botas Snake, Canoe Brasil e ao Extremos.
We ran only a portion of the amazing photos from the trip. See more at: 
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